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um blog de Nuno Gouveia

26 junho 2006

Quanto custa uma alma nova? 

Quanto custa uma alma nova ?
Quanto tempo demora a chegar ?
Farão desconto ao entregar,
pagarei menos se a for buscar ?
Quanto custa ?
Uma alma novinha em folha, sem mancha sequer nenhuma,
sem mágoas nem vontades, que eu possa ensinar, encaminhar...
Quanto será, quanto será ?
Uma coisa destas!
A maior, quanto será ?
Que me levam os homens pela ambição de a querer ?
E depois, subirão o preço até mais não ver,
ivejosos, com certeza.
Mas porquê, se não ma podem vender ?
Está bem.
Só perguntei !
Quanto custa uma alma nova.
Pronto.
O que é que tem?
Só perguntei.

Quanto desejariam estes pobres tolos
por uma almita nova ?!
Se nem sabem que posso sempre perguntar, sempre sempre,
as vezes que eu quiser e pronto,
quanto custa o diabo de uma alma nova, nem que seja só
a mim próprio.
A mim.
Não é que precise, mas...
Se precisar já sei.
Só perguntei.

Escrito a: 30/09/97

17 junho 2006

Sorriso de barro 

Vem ver, mãe.
Com o barro que me deste fiz um homem muito grande.
Tem feições de homem bom um pouco agastado,
mas pelos seus lábios vê-se que é feliz.
Tem fraca figura, nem feio nem bonito,
mas o seu olhar é deveras curioso.
Nem sei porque o fiz assim.
Convergi para esta forma num momento distraido,
pensava em coisas e coisas, e quando voltei já ele cá estava,
a olhar para mim com este sorriso indefenido.
Foi nesse momento que chamei por ti,
para veres o barro sorrir.
Para veres que ele também sorri.

05 junho 2006

Fora 

Fora com o corpo na lucidez da vida
Fora com as roupas na noite quente
Fora com o segredo no mistério do individuo
Fora do eu
Fora com o meu

Montanha por mim acima
Fragas de nuvens
Cumes gelados

Fora com a diferença entre ser e não ser
Fora com o poder da gravidade absoluta
Fora com a reza da pedra gelada
Fora de mim
Do fora vim

Por mim acima
Cumes gelados
Montanha de fragas nuvens
Fora do querer
Querer ainda saber
Onde guardei aquele retrato da humanidade

02 junho 2006

Ouço dizer que se faz sopa de ortigas
e doces de insectos,
e venero essa possibilidade
mesmo que nunca experimentada.
Cá em casa jazem secos pelo jardim e nas janelas
enquanto deus espera, minha sorte bem vinda,
meu deus,
espera ainda.

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